quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quais são os exames feitos no recém - nascido na maternidade?

Veja os exames que devem ou podem ser feitos no bebê que acabou de nascer

Josiane Lopes - Revista Crescer


Cada vez mais amplos, os exames feitos logo após o nascimento do bebê ajudam a detectar precocemente doenças que não costumam apresentar sintomas imediatos, mas comprometem a saúde já nos primeiros meses de vida. Na rotina das maternidades, o recém-nascido passa por dois exames obrigatórios (tipagem sanguínea e teste do pezinho básico), mas há pelo menos outros três (testes do pezinho ampliado, da orelhinha e do reflexo vermelho, nos olhos) que não são de praxe em todas as instituições, embora sejam recomendáveis no todo ou em parte. Os pais devem checar sua realização e solicitar os não-obrigatórios, caso desejem.

Os testes do pezinho e a tipagem são feitos em laboratório, com amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê ou de uma veia. A coleta se faz depois de 48 horas, pois o recém-nascido deve ter sido alimentado. Isso é necessário para ativar o metabolismo, pois as doenças detectadas são basicamente desordens metabólicas.

Veja alguns detalhes sobre os exames e o que eles indicam.

Tipagem sanguínea
É a identificação do tipo de sangue – A, B, AB ou O – e seu fator Rh – positivo ou negativo. A tipagem é necessária para emergências médicas. É obrigatório.

Teste do pezinho básico
Inclui os exames:
- PKU ou fenilcetonúria, doença causada por deficiência no metabolismo do aminoácido fenilalanina, que ao se acumular no organismo lesiona o cérebro e provoca retardo mental. O bebê nasce normal e os sintomas só aparecem depois dos 6 meses. É incurável, mas uma dieta alimentar evita seu desenvolvimento.

- TSH ou T4, para apontar hipotireoidismo congênito, que é a insuficiência do hormônio da tireóide, necessário ao desenvolvimento do sistema nervoso. Os sintomas demoram a aparecer e a criança sofre atraso do crescimento e retardo mental. Pode ser tratada com reposição do hormônio.

- IRT, para detectar fibrose cística, que ataca pulmões (com grande produção de muco, que gera tosse) e pâncreas (afetando o metabolismo, o que provoca apetite voraz e desnutrição). É incurável, mas pode ter efeitos amenizados com tratamentos precoces.

- Eletroforese de hemoglobina, que indica doenças sanguíneas, entre as quais a mais comum é a anemia falciforme. Trata-se de uma alteração da hemoglobina que dificulta a circulação, causando lesões nos órgãos. Afeta mais a raça negra, embora ocorra também na branca. Incurável, pode ser amenizada com tratamentos precoces. O teste básico é obrigatório.


Teste do pezinho ampliado
A extensão do teste varia, com exames para identificar até 30 males diferentes. Os mais pesquisados são a hiperplasia congênita da supra-renal, a galactosemia, a deficiência da biotinidase, a deficiência de G6PD e a toxoplasmose. Não são obrigatórios, mas podem ser indicados pelo pediatra.


Teste da orelhinha ou triagem auditiva
Verifica, com equipamentos, se o bebê escuta perfeitamente. Deficiências auditivas detectadas cedo facilitam a reabilitação e a aquisição da fala. Não é obrigatório, mas desejável, e costuma ser oferecido nas maternidades privadas.

Reflexo vermelho
É o exame com um oftalmoscópio, aparelho que emite luz e produz uma cor avermelhada e contínua nos olhos saudáveis, descartando a presença de tumores ou de catarata. Não é obrigatório e deve ser solicitado se não for oferecido. Como é um exame simples, não costuma ser cobrado.

Consultores: Francisco Dutra Rodrigues, neonatologista da Maternidade Pro-Matre, e Sineida Rodrigues Castelo Girão, pediatra do Viver e Sorrir — Grupo de Apoio a Prematuros do Hospital São Paulo.

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